Há mais ou menos cem anos, vivia em Bom Despacho uma moça órfã que vira e mexe ia rezar para Santo António e acabou arrumando um fã: o sacristão.
Certo dia, a moça estava rezando com muito fervor. Sem perceber,pediu em voz alta:
- Santo António, me dá um sinal! Quero saber com quem eu vou me casar...
O sacristão que estaca atrás do altar, aproveitou a deixa e sapecou tia hora, disfarçando a voz!
- Você vai casar com aquele que lhe entregar uma roas bem na saída da igreja.
Depois, tratou de sair pela porta da sacristia, para pegar depressa a primeiro rosa no primeiro túmulo do cemitério e ir para a frente da igreja.
Acontece que o túmulo era justamente o da mãe da órfã, mas o sacristão só se lembrou disso quando apareceu. Sentiu um frio na espinha. Havia muita neblina naquele final de tarde chuvoso, mas mesmo assim, olhando para o lado do cemitério, dava para ver o túmulo que tinha sido roubado.
A moça vinha no altar. Quando viu o sacristão lhe estender uma flor, arregalou os olhos e exclamou:
- Mãe! Era só uma exclamação.
Mas, o sacristão achou que a moça estava vendo a alma de mãe atrás dele.
Largou a flor e saiu correndo. Venha passando um rapaz bonito. Foi ele quem apanhou a rosa.
Ai aconteceu uma coisa realmente estranha. A moça escutou uma voz muito clara:
- Vai casar é com este!
Dito e feito. Alguns meses depois, a moça se casou com o rapaz bonito.
( Agora, cá entre nós, quem falou “Vai casar é com este.” Foi o sacristão – de novo. Ele olhou para trás enquanto corria, viu o rapaz entregando a flor, e adivinhou na hora.)
Angela Lago