segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marvel Comics cria HQ contra consumo de álcool na infância

Reed Richards explica por que o álcool não faz bem

Érico Assis
08 de Abril de 2012

Hard choices
A linha de quadrinhos educacionais da Marvel Comics - criados em parceria ou sob encomenda de empresas - continua rendendo histórias peculiares. Depois de Salvando o Dia, em que você aprendeu a usar o banco e economizar dinheiro, a nova parceria é com a ONG Elks e ensina por que as crianças não devem chegar perto de bebidas alcoólicas.
Estrelando o Quarteto Fantástico e o Homem-Aranha, o foco da Hard Choices  é Franklin Richards, que vai dormir na casa de um amiguinho que quer se meter com a galera mais velha bebendo cerveja. O clímax envolve um motorista bêbado e o maior gênio da Marvel, Reed Richards, explicando os males que o álcool pode causar à sua vida.
A HQ está disponível online, gratuitamente. Leia aqui. O roteiro é de Marc Sumerak  e os desenhos são do brasileiro Marcio Takara.


FONTE: http://omelete.uol.com.br/marvel-comics/quadrinhos/marvel-comics-cria-hq-contra-consumo-de-alcool-na-infancia/ 

Para ver a HQ, em inglês :-(           https://marvel.com/digitalcomics/view.htm?iid=3126

quinta-feira, 5 de abril de 2012

TELEFÔNICA X NET = " ITAMAR" "ITAPIOR"


Caros Amigos,

Este blog foi criado com o intuito de divulgar informações sobre língua portuguesa e literatura, mas o que aconteceu comigo hoje, foi tão BIZARRO, que tenho que dividir com todos que conheço e peço que todos que me conhecem divulguem com que conhece e assim por diante.
Vou começar a história pelo começo...
Sou cliente da  Telefônica a muitos anos, mas ando muito insatisfeita com os serviços, tanto de telefonia como o Speedy. A última foi em um sábado  (17/03/12) ao ir fazer uma ligação encontrar minha linha telefônica ocupada, para meu espanto com um técnico da telefônica que ao ser questionado sobre o uso não autorizado da linha telefônica ficou com raiva e disse que eu era muito mal educada e deveria deixá-lo usa a linha... Parece piada, mas como ele continuou usando eu fiquei apertando o teclado do telefone para atrapalhar a ligação... Quem me conhece sabe: - eu sou chata, eu gosto de ser chata... kkkk
No mesmo sábado estava saindo quando por MÁGICA, passa um vendedor da NET oferecendo o serviço. Um ótimo vendedor, mas eu estava (ainda estou ) tão descontente com o Speedy que não precisava muito para que eu aceitasse.
Muito bem marcamos 19/03 a instalação do serviço, o técnico veio em minha casa disse que nós teríamos que quebrar a parede para passar o cabo... Meu pai disse que não , que iria conversar com os filhos e dispensou o técnico.
Quando meu irmão chegou em casa meu pai explicou o ocorrido. O Clayton (meu irmão) começou a rir disse que era um absurdo  e disse que conhece várias pessoas que tem o serviço e que não quebraram paredes que os técnicos passaram  o fio por cima.
Muito bem,  liguei na NET e solicitei outro técnico que ficou agendado para a quarta feira 21/03 que também não deu certo,   para o dia 30/03, pois queria que os técnicos viessem no dia em que meu irmão estava em casa, para que ele explicasse tudo , já que parece que o treinamento deles é ruim e a vontade em trabalhar pior...
Ficou agendado Para sábado 30/03 das 12 às 18 hs. Estava eu, em sábado no cabeleireiro, me cuidando, afinal também mereço, fazendo minhas unhas, quando toca o celular,  e o pior o celular estava no bolso... tive que atender, acabei borrando a unha.. era por volta de 17: 40 era da central de atendimento da NET,  perguntando se tinha alguém em casa para recebê-los, eu disse que sim, então fui informada que estariam em minha casa até as 18:20 , eu disse que tudo bem. Cheguei em casa as 19:00 h como o técnico não tinha aparecido liguei na central que informou que foi dado baixa da solicitação como cliente ausente... Putz, como? Estavam em casa meus pais, meu irmão, minha cunhada , dois inquilinos... como ninguém?
Reagendei para terça-feira, veio um técnico , por volta das 17: 30 h pediu desculpa pelo atraso e disse que era da zona leste e o técnico que deveria fazer o serviço sofreu um acidente grave e por isso ele iria resolver... mas senhora... eu vejo que a senhora quer a internet, mas no seu pedido não tem o serviço de internet e também veio o equipamento de HD , ou seja, era tudo errado, “ Senhora se eu fizer a instalação com o equipamento errado a senhora vai pagar mais”, “ se eu fizer o pedido para mandarem o equipamento correto vai demorar mais, então vamos fazer assim eu venho amanhã e arrumo tudo” “ A senhora vai receber um contato telefônico hoje reagendando para amanhã”.
Adivinha o que aconteceu....
Não ligaram no dia, só na quarta reagendando para quinta 05/04, hoje, por volta das 14 hs me ligaram da Net perguntando se havia alguém em casa para receber os técnicos, pois eles estavam enfrente a minha casa, e eu inocente perguntei:
- Eles tocaram a companhia?
- Não senhora, eles chamaram.
Bem, meu pai foi atendê-los mostramos onde deveria ser instalado os pontos e quando eu disse que o fio deveria vir por fora, ou seja, pelo telhado, eles inventaram uma história de que não daria pra fazer o serviço, porque poderiam quebrar uma telha... kkkkkkkkkkkk
Palhaçada, eu meu revoltei disse que já havia dito como deveria ser feito o serviço e se na terça feira podia porque hoje não poderia? Os técnicos in formaram que o serviço poderia ser feito, eles iriam fazer uma ligação  e sumiram...
Quando eu liguei na central de atendimento da NET fui informada que ao mesmo tempo que a NET me ligou perguntando se tinha alguém em casa para recebê-los os tecnicos deram baixa do serviço como cliente ausente...
Como pode isso??? Como eu poderia está ausente e falando com eles do telefone fixo da minha casa...
Foi mágica??? NÃO É FALTA DE CARACTER, FALTA DE ÉTICA E DE PROFISSIONALISMO DA NET... gente antes de trocar os séricos da telefônica por uma promessa das maravilhas da NET pense bem porque ambas são um lixo... Trabalham com funcionários mal treinados e incapazes...
O QUE SERÁ DE NÓS POBRES CONSUMIDORES????
 
Vou ligar na ouvidoria da NET... para saber quais são so próximos capítulo!!!
 

domingo, 1 de abril de 2012

Pesquisa sobre o autor Luiz Fernando Veríssimo

 As questões abaixo devem ser respondidas através de sua pesquisa, ou seja,  você irá pesquisa em no mínimo três fontes e com base no que você pesquisou responde-las.

Questões

1-Quem é o  autor? ( data de nascimento,  onde nasceu? o que faz?)
2-Onde vive o autor?
3- Como vive o autor?
4- Caso autor tenha outra profissão falar sobre esta profissão.
5- Alguma (as) curiosidade (s) sobre o autor.
6- Caso você encontre outras informações sobre o autor divida com a turma, coloque-a em seu trabalho.
7- A bibliografia do autor pesquisado (obras que o mesmo tenha escrito)

8- Quais não os temas abordados em suas obras? (se o autor escreve sobre assuntos do dia a dia, sobre amor, sobre família etc.)
9- Qual é o estilo da escrita do autor? (se o auto descreve muito, a linguagem é difícil, se usa linguagem médica etc.)
10 – Bibliografia: No final do sempre trabalho deve constar as fontes de sua pesquisa , ou seja, de onde foram retiradas as informações que devem ser:

Bibliografia é a relação de livros, dicionário, revistas, jornais ou sites que utilizou para sua pesquisa.

Na bibliografia para livros deve constar o nome do autor, o título do livro, cidade, editora e ano de publicação.

1º Exemplo:
Livros, Dicionário, Revista etc.

RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: guia para eficiência nos estudos. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991.

Na bibliografia de sites deve constar o nome do autor , quando houver, o título da matéria, endereço do site e data de acesso.


2º Exemplo: Quando você pesquisar em um site e há o nome do autor do texto que você pesquisou:

ASPIS, Renata P. L. Avaliar é humano, avaliar humaniza. http://www.cbfc.com.br/reflexão. Acesso em: 20 dez 2001.

3º Exemplo: Quando você pesquisar em um site e não há o nome do autor do texto que você pesquisou:

Formatação

Capa:

• Nome da Escola: EMEFM Antonio Alves Veríssimo.
•Título;
• Nome, nº e turma;
• Matéria: exemplo: Trabalho de Língua Portuguesa
• Nome do professor;
• Data de solicitação do trabalho;
• Data de entrega.

Quando digitado:

• Em folha de sulfite;
• Letra tipo: Arial, Thaloma ou Times Roman;
• Letra tamanho: 12
• Espaçamento: 1,5
•Margens: esquerda - 3 cm, direita - 2 cm, superior - 3 cm e inferior - 2 cm

 Veremos em uma aula como formatar páginas, mas para quem quiser ir adiantando:


Quando Manuscrito: (escrito a mão)
• Em folha de almaço; ( quem não se lembra como é, peça na papelaria que eles sabem como é)
• Respeitar as margens;
• Escrever os textos com caneta azul ou preta; títulos e subtítulos podem ser com outras cores.

 Observação: o texto já está corrigido, segundo erros visto na aula.

Representação do texto Rui Barbosa e o Ladrão de Galinhas


Esta atividade é em dupla, leiam o texto abaixo com atenção, observe que nas falas de Rui Barbosa  o português usado é muito formal, por isso, pesquise as palavras do texto que você não conhece para compreendê-lo melhor e faça uma representação do diálogo na sala, como se fosse uma peça de teatro.
Texto 3
Rui Barbosa e o Ladrão de Galinhas
            Certa vez, um ladrão foi roubar galinhas justamente na casa do escritor Rui Barbosa. O ladrão pulou o muro, e cercou as galinhas. Naquele alvoroço, Rui Barbosa acordou de seu profundo sono, e se dirigiu até o galinheiro.
            Lá chegando, viu o ladrão já com uma de suas galinhas, e disse:
"-Não é pelo bico-de-bípede, nem pelo valor intrínsico do galináceo; mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for por mera ignorância, perdôo-te. Mas se for para abusar de minha alma prosopopeia, juro-te pelos tacões metabólicos de meus calçados, que darte-ei tamanha bordoada, que transformarei sua massa encefálica, em cinzas cadavéricas."
O ladrão todo sem graça se virou e disse:
"-Cumé seu Rui, posso levar a galinha ou não???"

quinta-feira, 29 de março de 2012

Tipos de Linguagem

Texto 1

“Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.”

Jô Soares, revista veja, 28 de novembro de 1990.


Texto 2

O Fax do Nirso

O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores: 'Seo Gomis o criente de Belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa, Abrasso, Nirso.' Aproximadamente uma hora depois, recebeu outro: 'Seo Gomis, os relatório di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda treis miu pessa. Amanhã tô xegando. Abrasso, Nirso.' No dia seguinte: 'Seo Gomis, num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba. To indo pra Brazilha. Abrasso, Nirso.' No outro: 'Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora. Abrasso, Nirso'. E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem daempresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse: - Deixa comigo, que eu tomarei as providências necessárias. E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso e afixou no mural da empresa, juntamente com as mensagens de fax do vendedor: 'A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si priocupá menos em iscrevê serto, mod vendê maiz. Acinado, O Prizidenti.'

Esta atividade é em dupla, leiam o texto abaixo com atenção, observe que nas falas de Rui Barbosa  o português usado é muito formal, por isso, pesquise as palavras do texto que você não conhece para compreendê-lo melhor e faça uma representação do diálogo na sala, como se fosse uma peça de teatro.

Texto 3
Rui Barbosa e o Ladrão de Galinhas
            Certa vez, um ladrão foi roubar galinhas justamente na casa do escritor Rui Barbosa. O ladrão pulou o muro, e cercou as galinhas. Naquele alvoroço, Rui Barbosa acordou de seu profundo sono, e se dirigiu até o galinheiro.
            Lá chegando, viu o ladrão já com uma de suas galinhas, e disse:
"-Não é pelo bico-de-bípede, nem pelo valor intrínsico do galináceo; mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for por mera ignorância, perdôo-te. Mas se for para abusar de minha alma prosopopeia, juro-te pelos tacões metabólicos de meus calçados, que darte-ei tamanha bordoada, que transformarei sua massa encefálica, em cinzas cadavéricas."
O ladrão todo sem graça se virou e disse:
"-Cumé seu Rui, posso levar a galinha ou não???"

quarta-feira, 28 de março de 2012

Aula de 28/03

O Peru de Natal
Mário de Andrade
O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.
Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas "loucuras". Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de "louco". "É doido, coitado!" falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.
Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.
         — Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania... Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo...
— Meu filho, não fale assim...
— Pois falo, pronto!
E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus "gostos", já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.
Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a... culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:
— É louco mesmo!...
Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado:assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a cotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus... Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.
— Eu que sirvo!
"É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
— Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos... Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.
Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.
Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.
— Só falta seu pai...
Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:
— É mesmo... Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente... (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.
E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que "vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai", um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.
Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!
         A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.
Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!...

O texto acima foi extraído do livro "Nós e o Natal", Artes Gráficas Gomes de Souza, Rio de Janeiro, 1964, pág. 23..

Observação: Narrador é aquele que conta a história. Ele pode ser em 3ª Pessoa ( quando só conta e não participa da história) ou em 1ª Pessoa (quando participa da história)

Exercícios

1- Que conceito o narrador fazia de seu pai?

2- Que conceito os membros da família e os  parentes faziam do narrador?

3-Que conceito o narrador tinha de seus parentes?

4- Qual é a relação entre o narrador e a mãe?

5- O que o narrador imaginou para quebrar a lembrança do pai? 

6- Como foi a ceia de Natal imaginada pelo narrador ?

Gabarito

só depois da aula  kkkkk ...